terça-feira, 22 de maio de 2012

Diários de caminhão, ônibus, barco, camburão, avião e até de motocicleta!

Para a aula de Jornalismo Gráfico II, na UFRJ, tivemos que fazer um infográfico sobre algum tema definido pelo professor Octávio Aragão. A princípio, eu teria de fazer um mapa sobre a Coluna Prestes. Mas, completamente fascinado pela viagem que Che Guevara e Alberto Granado fizeram pela América do Sul, e retratada no filme Diários de Motocicleta, convenci o professor a me deixar fazer este infográfico que segue abaixo.

Pra ver em tamanho original, sugiro que clique nele com o botão da direita e em "Visualizar em nova aba" ou algo semelhante do seu navegador.

Espero que tenham gostado.

domingo, 13 de maio de 2012

Filme: 31 Minutos, La Película

Semana passada, decidi escrever uma pequena resenha no blog de cada filme que eu assistir de agora em diante. A não ser que eu já tenha escrito sobre o filme aqui, pretendo fazer essa resenha. E vou estrear essas postagens com um filme que acabei de ver: 31 Minutos - La Película.

Personagens de 31 Minutos (Foto: Reprodução/ Internet)

Aliás, aproveitando que esta vai ser uma postagem meio que voltada para o público infantil, gostaria de dizer que estou escrevendo para o site e a revista Ciência Hoje das Crianças. Confiram as matérias (inclusive as minhas) neste link aqui.

Para quem não assistia à Nickelodeon na segunda metade dos anos 2000, 31 Minutos é uma série infantil chilena, onde fantoches, bichinhos de pelúcia e bonecos num geral apresentavam um noticiário. Segundo a Wikipedia, o programa tratava de fatos que aconteceram no Chile e no mundo durante os anos 80, de forma irônica, além de tratar de assuntos de meio ambiente. Era um programa infantil bem interessante, pra falar a verdade, além de ter um humor que era nonsense, sem ser bobo.

OK, mas e o filme? Na história, o produtor do jornal 31 Minutos, Juanin Juan Harry, é um animal raro, o último de sua espécie. Há uma colecionadora de animais, estilo a Felícia dos Tiny Toons que quer Juanin em sua coleção. Para tê-lo, ela contrata uma espécie de caçador de recompensas para capturá-lo. O caçador arma a demissão de Juanín e o sequestra. Então Túlio Triviño (âncora do jornal), Juan Carlos Bodoque, Patana e os outros participantes do noticiário partem em busca do produtor sequestrado.
Juanin Juan Harry com Edgar Vivar, o Seu Barriga
(Foto: Reprodução/ Internet)

Bem, para todos os efeitos, é um filme infantil, né? Quem viu a série na TV, vai gostar (apesar de a série ser mais legal, na minha opinião). Quem não viu a série, e tiver mais de 15 anos, pode ter dificuldades pra desligar os filtros e engolir uma história onde só aparecem fantoches. Como o filme não foi dublado para português, vai ser meio difícil de as crianças verem o filme por aqui, apesar de o espanhol que falam no filme ser bem compreensível (ainda mais considerando que são chilenos falando).

Algo que achei curioso é que o filme tem cenas rodadas no Rio de Janeiro. Logo, nos primeiros cinco minutos, aparece o Museu de Arte Moderna, em Niterói, a Ponte que liga a cidade ao Rio de Janeiro e um bairro que acredito ser Santa Tereza. Mais pro meio do filme, é possível ver as Ilhas Cagarras, visíveis das praias da Zona Sul Carioca.

Se você viu a série na Nickelodeon e tem saudade do Tulio e sua turma, pode acabar gostando do filme. Quem não viu (e tem a mente aberta para filmes infantis protagonizados por fantoches), pode conferir o filme neste link. Aproveite pra procurar trechos da série em português no Youtube.

terça-feira, 24 de abril de 2012

A síndrome do cachorro

Aqui em casa, temos um cachorro, o Josh. Um dachshund de dois anos, que é completamente louco pela minha mãe. Ela é a razão de sua vida, o objeto de seu mais profundo amor. A festa que ele faz quando meu pai, meu irmão ou eu chegamos em casa não é nada comparado àquela que ele faz quando minha mãe chega.

O cachorro é hiperativo, usando o termo atual para encapetado. Vive pulando nas nossas camas quando ninguém tá olhando, mijando no lugar errado, roubando as meias e correndo pela casa para que a gente o persiga. Isso sem contar com as notas de R$ 2 que ele já comeu (ainda bem que ele tem preferência pelas notas de mais baixo valor), uns 16 ou 18 reais. Ah, teve aquela vez que ele COMEU a minha passagem de ônibus pra Belo Horizonte. São (na maioria das vezes) pequenas travessuras, mas que, às vezes, irritam. E, sem hipocrisia, chamamos atenção dele, e as vezes damos tapinhas nele. Nada de surras, nem nada disso, mas (os psicólogos e moralistas vão me matar agora) um tapinha às vezes não mata ninguém.

Bem, às vezes, minha mãe fica realmente irritada com o cachorro e ele reage a isso, de uma forma triste. Mas, se, em cinco minutos, minha mãe fizer um carinho no Josh, ele corresponde todo feliz, com rabinho abanando e o amor de sempre. Eu vejo essa mesma reação em muita gente (especialmente em homens). E dei um nome para ela: Síndrome do Cachorro.

O amor é algo bem legal, mas quando é correspondido. Quando isso não acontece, as chances de surgir a Síndrome do Cachorro são gigantescas. De um lado, o amante não correspondido, movendo mundos e fundos pela pessoa amada. De outro lado, a pessoa amada. Por mais que se preocupe ou tenha carinho pela pessoa que a ama, não é presa sentimentalmente a ele. E, por isso, acaba fazendo coisas que podem magoá-lo. Aí que está o grande problema. O amante, digamos assim, por mais que fique magoado com a ação da pessoa amada, vai perdoá-la e voltar com o "rabinho abanando" assim que surgir a oportunidade. E essa brincadeira vai continuar se repetindo indefinidamente.

Não, esse texto não é uma crítica àquelas pessoas que sofrem da Síndrome do Cachorro. Elas não fazem isso porque querem, simplesmente fazem. Tampouco é uma crítica àquelas que acabam magoando quem as amam. Aliás, que não magoam porque querem. É chato? É. Mas, às vezes, é preciso dar um chega pra lá. É diferente daquelas pessoas que, deliberadamente, magoam a pessoa que as ama, por algum motivo mórbido (para não dizer escroto).

Mas, independentemente do motivo, existe um problema nessa relação: O perdão. A pessoa que ama, sempre vai perdoar a amada. Não importa o que ela faça, vai perdoar. E isso dá uma tranquilidade para a pessoa amada. É inconsciente na maioria das vezes, mas não deixa de ser prejudicial. Ninguém gosta de ser escrotizado, especialmente pela pessoa amada. 

Como eu disse lá em cima, isso é mais comum entre homens do que mulheres. Por que? Sei lá, mas é. Pega, por exemplo, músicas de dor de corno. Em 80% dos casos, são cantadas por... homens! Mulheres, quando fazem músicas de amor, ou são dizendo como é bom estar com a pessoa amada, como sentem falta da pessoa amada ou como o cara é escroto e precisa valorizá-la para estar com ela. Já músicas do tipo "você me largou e estou aqui no fundo do poço. Por favor, volte para mim ou ao menos finja que gosta de mim" são, na maioria das vezes, cantadas por homens. Por que? Não faço ideia. Mas são.

Qual é a solução para isso? A resposta fácil é "se dar mais valor e mandar a pessoa ir se f...". Mas não é fácil assim. Se fosse, textos como esse não fariam o menor sentido. É uma sina, algo que precisamos passar por sermos nice guys ou nice girls. E assim caminha a humanidade.



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Salto de Fé

Se eu puder dar um conselho aos meus futuros filhos, o conselho é a postagem de hoje:


Nick Ellis: Quando ele (Steve Jobs) tinha 17 anos, ele leu uma citação que dizia "se você viver cada dia como se fosse o último, um dia você, provavelmente, vai acertar". Aí ele passou os últimos 33 olhando no espelho e se perguntando "se hoje fosse o último dia da sua vida, você ia querer fazer o que vai fazer hoje?". E se a resposta fosse "não" por muitos dias...

Jovem Nerd: Está errado! Está errado! 

(...)

Nick Ellis: Uma coisa que ele falou no discurso de Stanford e a gente tem que repetir é "você tem que achar o que você ama". Isso vale para o trabalho e para seu companheiro e sua companheira. E o trabalho vai ocupar a melhor parte da sua vida. E o único jeito de ficar satisfeito é fazer o que você acredita que é um belo trabalho. E o único jeito de fazer um belo trabalho, é amar o que você faz! Se você não achou ainda, continua procurando! Não fica sentado.

Jovem Nerd: Se existe uma lei do Universo que não está escrita, que não pode ser matematicamente calculada é essa: Só quem ama o que faz é que chega lá e que é feliz. Verdadeiramente feliz. Não importa quanto dinheiro você tenha, quanto sucesso ou fracasso você tenha. A morte chega, é igual pra todo o mundo. A gente vai embora, não sabe o se tem algo depois, ou se não tem. Tanto faz, whatever! O que importa é o que tá aqui, o que a gente tá fazendo agora. (...) A gente ganhou um presente do universo. Estar vivo. A gente não batalhou por isso, não correu atrás. Esse foi um presente, de fato, que a gente ganhou de mão beijada. Nós existimos, não pedimos pra existir. Você, simplesmente, um dia, percebe que existe e no outro você entende que vai deixar de existir aqui, agora, nesse lugar. Esse tempo que você tem, é hora de fazer algo com ele. Porque você não está aqui a toa, você ganhou esse presente. E temos que fazer o melhor com esse presente.

(...)

Nick Ellis: A única responsabilidade que a gente tem é ser feliz, cara. Se você não estiver feliz, corre atrás porque tem alguma coisa errada.

Espero, um dia, encontrar com o Nick Ellis e com o Jovem Nerd e contar a eles sobre uma distante segunda-feira, quando ouvi o que eles disseram e decidi tomar um rumo diferente para minha vida. Contar sobre o dia que criei coragem para, assim como o Indiana Jones em A Última Cruzada, dar o salto de fé num suposto precipício e poder perceber que fiz a escolha certa. 


Bem, é isso... Stay foolish, stay hungry!

domingo, 15 de abril de 2012

Cada vez mais próximo

De banho tomado, de barriga cheia e roupa trocada, ele estava sentado na cama. Ao lado de seus pés, a mochila com as roupas. Ele estava morto de cansaço. Uma noite viajando acordado e um dia rodando pela cidade com uma mochila nas costas era capaz de destruir qualquer um. E com ele não era diferente.

- Pode dormir - disse Carlos, passando pelo corredor - Não precisa se preocupar, quando der a hora, a gente te acorda.

Ele se deitou e virou para a parede. Ainda se perguntava se estava fazendo a coisa certa, mas era tarde demais. Não tinha mais volta. Frio na barriga, uma vontade incontrolável de rir e uma ansiedade sem descrição. Cansaço, mas total falta de sono. Não conseguia dormir, não com o que se aproximava com a velocidade de um avião.

O momento se aproximava e com ele, o nervosismo e a dúvida. E de pensar que um pouco mais de 24 horas antes estava decidido a não estar ali. Estava feliz em casa, com o emprego novo que parecia surgir, com o novo rumo que sua vida estava tomando. Não tinha porque fazer aquela viagem, reabrir aquela ferida que começava a cicatrizar. Mas ali estava, deitado na cama, olhando para a parede com uma mistura de medo e felicidade. Uma vontade louca de rir e cantar, mas também de fugir, de voltar para casa. Era tarde, Inês era morta. Não tinha como...

Dormiu.

- Oi. Acorda. Chegou a hora, estamos indo ao aeroporto.

Ele acordou, com aquela sensação esquisita que sentimos ao dormir no meio da tarde. Olhou pela janela, já era noite. Havia chegado o momento.

O carro cortava a rodovia em alta velocidade, para o norte. Ele mascava seu chiclete, segurava o pacote de Passatempo recém comprado na loja de conveniência de um posto de gasolina e via o trânsito passar, absorto em seus pensamentos. Cada vez mais próximo do aeroporto, não sabia o que pensar, não sabia o que sentir. Não sabia o que estava fazendo ali. Era tarde demais para qualquer dúvida. Já estavam no aeroporto, caminhando para o portão de desembarque internacional. A pedido de Carlos, ele foi procurar um mini DVD, para a filmadora. Não encontrou o disco, não a viu desembarcando.

O reencontro foi diferente do que imaginava. Melhor? Pior? Nem ele sabia. Não era fácil comparar a realidade com uma idelização que ele não conseguia fazer direito. Ali estavam novamente. No mesmo aeroporto, depois de um longo tempo que, ao mesmo tempo, passou tão rápido e tão lento. Se abraçando novamente, mas não como despedida, mas como um reencontro. Que bom, ela havia chegado. O medo irracional que ele tinha de o avião dela cair não havia se concretizado. Ela estava ali, no chão, de volta.

Voltaram para casa. Jantaram, conversaram, cada um tomou seu rumo para ir dormir. Ele voltou à cama, se sentou e ficou olhando para o chão, ainda sem saber se havia feito a coisa certa.

- Obrigada por ter vindo - disse ela, na porta do quarto, com um sorriso.

- Ah, de nada... - ele respondeu, sem graça.

- Sério, fiquei muito feliz com sua vinda - disse ela caminhando na direção dele.

Os dois se abraçaram mais uma vez. Dessa vez, um abraço mais longo, de amigos de longa data, que não se viam. Se soltaram e, com um sorriso, ela desejou boa noite, indo embora.

Sozinho no quarto, ele se deitou na cama e voltou a virar para a parede. Ainda sentia frio na barriga. Ainda sentia uma vontade louca de rir e cantar. Ainda não sabia se havia feito a coisa certa. Mas, com o coração menos apertado e mais feliz, dormiu mais uma vez. Sem a menor dificuldade.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Do tempo



Quem ao perder uma pessoa amada, seja por falecimento, por um belo "pé na bunda" ou por algum outro motivo, não ouviu a famosa frase "O tempo cura tudo"?

Para mim essa é uma mentira deslavada que os que nos amam nos contam cheios de boas intenções, para que a gente acredite na possibilidade mágica do esquecimento.

Não. O tempo não cura tudo. Pelo menos eu não vejo assim. Eu acredito que aquilo que esquecemos em virtude do passar dos dias, meses e anos na verdade não tinha tanta importância assim.

Pensar assim não é ser pessimista. Eu acho plenamente possível seguir em frente, ser feliz, dar a "volta por cima", mas também acredito que muitas vezes nessa quase obrigação de sermos felizes a qualquer custo e a todo tempo a gente não se permite sofrer.

Varremos para debaixo do tapete nosso sofrimento, tomamos pílulas de felicidade instantânea e gastamos horrores em cerveja/terapia/roupas ou qualquer coisa que nos aliene por um tempo de nossa dor.

Qual o problema em sofrer? Às vezes a gente precisa sim ficar triste, chorar, ficar de luto, gritar. Por que temos que ser eternas "polianas" em seu "jogo do contente"?

Não digo para ninguém se afogar e afundar na própria tristeza porque a gente merece sim ser feliz e certamente é preciso reaprender a andar, a respirar, a sentir, a querer, a sorrir sem a pessoa ao lado, mas isso demanda tempo. Não é uma semana que vai apagar da sua vida alguém que tanto lhe marcou.

Na verdade nem uma semana, nem alguns meses, nem vários anos. Mas isso não quer dizer que a gente vá deixar de viver, sabe? Só quer dizer que tal como ferro em brasa essas pessoas deixaram sua marca eterna em nós.

Não é rasgando fotos, doando as roupas, não pronunciando o nome ou destruindo os vestígios físicos que a saudade some. Porque ela não some. Ela fica ali quietinha e em certos momentos desperta. Um perfume, uma foto, uma lembrança e abre-se a comporta para uma inundação de sentimentos.

Eu não luto para apagar minhas saudades, nem finjo não serem minhas as dores que carrego no peito. A verdadeira resiliência para mim não é simplesmente voltar ao estado original como se nada tivesse ocorrido. É sim seguir em frente, um passo de cada vez, abraçando nossos medos, nossas dores, nossos amores mil.

Seguir em frente  não é esquecer quem nos marcou como se fosse nada, coisa à toa. Seguir em frente, acredito, é não ter medo de encarar que cada perda nos transforma e nos marca. É não ter medo de admitir nossas dores e mesmo assim buscar ser feliz.

Para a Bisa Bel e a Vó Lili. Meus eternos amores e minhas saudades mais fortes.

Tássia Veríssimo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Vamos falar sobre carros?

Carros são máquinas incríveis. Te dão uma sensasão de poder e liberdade que nada mais te dá. Carros são bonitos. Carros são atraentes. Sem querer parecer machista, carros atraem mulheres. Não são todas, mas atrai muita mulher (quem já foi na minha cidade sabe que é bem assim).

O carro é o sonho de consumo de grande parte das pessoas. Muitas sonham em tirar sua carta de motorista, depois juntar uma grana e comprar seu carrinho. Outras, mais ricas, já ganham carros de presente dos pais. Vira e mexe, surge uma promoção sorteando um carro. Eles são máquinas desejáveis. Eu, mesmo, já quis muito um carro. Espera, já quis, no passado?

Sim, no passado. Apesar de todas essas vantagens, vou confessar que, ao contrário de 90% dos caras da minha idade (que ainda não têm um carro), este não é um sonho de consumo meu. Tenho 23 anos nas costas, não tenho carteira de motorista e não faço a menor ideia de quando vou ter a minha. Na verdade, nem sei se me faz tanta falta assim.

Atualmente, tenho apenas dois compromissos na vida: Faculdade e estágio. A faculdade está a 3km da minha casa. O estágio está a 6km. Dá para ir a qualquer um dos dois de ônibus, de taxi ou mesmo a pé. Quando o horário de verão estava aí, bonitão, alegrando e alongando as nossas tardes, eu vinha embora a pé, ouvindo podcasts ou músicas, vendo o sol se por no Rio de Janeiro. Era uma caminhada de quase uma hora, mas que passava assim, num piscar de olhos. Sem estresse, sem buzinas, sem congestionamentos nem nada. E mantendo uma vida mais saudável, o que é o mais legal!

Agora, quando eu vinha embora de ônibus, era um tormento! Claro, a viagem era bem mais rápida que vindo a pé, mas ainda assim, o ônibus ficava um tempo absurdo parado nos congestionamentos, cada vez mais comuns nas ruas estreitas do Rio de Janeiro. A cidade pode ser linda, maravilhosa, o que for, mas é mal planejada. Aliás, mal planejada para os dias atuais. Quando as ruas foram feitas, estreitas, não existia a quantidade absurda de carros que existe hoje em dia. O trânsito fluía melhor, com um fluxo suportável para as ruas. Nos últimos anos, a quantidade de carros que brotaram em nossas ruas e avenidas é impressionante! E insustentável! Isenções e isenções de impostos provocaram uma procura por carros nunca antes vistas. E qual é o resultado disso? Congestionamento.

Dia desses pra trás, preso num congestionamento, dentro do ônibus, comecei a olhar para os carros e contar quanta pessoas estavam dentro deles. Num geral, era uma pessoa por veículo, duas no máximo. Meu ônibus vazio, milhares de carros vazios indo para o mesmo lugar e a rua entupida de carros. Gente, por que não dividir o carro? Por que não desenvolver um sistema de caronas? Por que não deixar seu carro em casa e ir para o trabalho de transporte público?

Claro que, em muitos casos, o transporte público não colabora. Ônibus velhos, demorados e lotados, trens e metrô em situação parecida. Mas não são todos os casos assim. Por exemplo, não posso reclamar da lotação, estado e nem dos horários dos ônibus que pego para ir ou voltar do trabalho. Se eu posso reclamar de algo, é do congestionamento. Porque, 20 minutos para atravessar dois quarteirões de ônibus não é natural, nem aqui, nem em São Paulo.

Isso sem contar que, apesar de ficar parado no trânsito por tempos absurdos, achar um lugar para estacionar é outra odisseia. Estacionamentos são caros. As ruas já estão lotadas de carros parados. Quando você consegue um lugarzinho pra parar, surge um flanelinha querendo te estorquir. Isso sem contar com aquele grande parceiro que todos temos, o Governo, que, além do IPVA, enfia imposto sobre combustível, lubrificante e em qualquer peça que você for comprar. E, se você quer viajar, ainda tem os pedágios...

Aí alguém vai falar: "Ah, você diz isso só porque não tem carro". Será mesmo? Repetindo o que eu disse lá em cima, não tenho nem previsão de quando vou tirar a carteira de motorista e, se eu realmente quisesse mexer com isso agora, teria como parcelar um curso e fazer as aulas aos sábados. Ia balançar meu orçamento, mas dava pra fazer alguns sacrifícios... Mas não vale a pena! Pelo menos não por agora. Meu pai não empresta o carro (ele é adepto da filosofia - muito certa, diga-se de passagem - de que carro e namorada não se empresta). Os custos para se manter um automóvel são altíssimos, muito maiores que meu orçamento. Pra quê vou arrumar um carro agora? Pra colaborar com esse caos que se instaurou nas ruas?

Não estou dizendo que nunca quero ter um carro, mas não é o que eu quero nesse momento. Por mais legais e libertadores que sejam, ter um veículo não é só festa e diversão. E no momento, o custo é maior que o benefício.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O motorista, a moeda e o vale transporte.

História totalmente real, que aconteceu mais ou menos uma hora antes de eu postar esse texto aqui.

Saio do estágio e pego o ônibus para vir embora. O ônibus arranca e chega a minha vez de pagar a passagem. Estou com uma mochila cheia, um livro gigante na mão e com a outra, apalpo o corpo procurando meu vale transporte. Nada. Com dificuldade, coloco o livro entre as pernas e começo a procurar o vale transporte dentro da minha carteira. Nada.

A passagem de ônibus com ar condicionado aqui no Rio de Janeiro, custa R$3.10. Tenho no bolso por volta de R$ 2.30, R$ 2.45 no máximo. Não dá pra pagar nem a passagem de ônibus convencional (R$ 2.75). Enquanto mexo na carteira, ouço uma moeda cair. Olho rápido pro chão e vejo, no último degrau, lá perto da porta, uma moeda de 1 real brilhando. Com a maior dificuldade, ajeito o livro debaixo do braço, sento no chão, me inclino todo e pego a moeda. Quando me levanto, o primeiro diálogo entre eu e o motorista:

MOTORISTA: Conseguiu pegar a moeda?
EU: Consegui, sim.
MOTORISTA: Que bom. Se não tivesse conseguido, eu parava o ônibus aqui e abria a porta pra você pegar.

Ponto positivo pro motorista. Passa um pouquinho, eu não acho o vale transporte em lugar nenhum. Viro pra ele e falo, sem graça.

EU: Motorista, desculpa, eu não consegui achar o vale transporte e não tenho como pagar a passagem. Tem como você parar para eu descer?
MOTORISTA: Ué, se você descer, como vai pra casa?
EU: Sei lá... passo num banco, saco dinheiro e pego outro ônibus...
MOTORISTA: Faz o seguinte. Vou parar ali no próximo ponto, você desce e sobe na porta de trás. Aí você procura seu vale transporte com calma. Se você achar, volta aqui no cobrador e passa ele.
EU: Posso, mesmo?
MOTORISTA: Pode!

Ele parou e abriu a porta de trás para mim. Com medo de estarem pensando que eu estava querendo me aproveitar deles, fiz o que o motorista pediu e, com calma, achei o vale transporte dentro da mochila. Com a maior alegria e gratidão do mundo, voltei ao cobrador e passei o vale, girando a roleta e ficando tudo certo.

Você está deslumbrado com isso? Imagina como eu fiquei na hora (e ainda estou, enquanto escrevo isso)? Muita gente poderia ter mandado eu descer e me virar para conseguir pegar outro ônibus. Muitos motoristas, sequer teriam tido a preocupação de abrir a porta para eu pegar a minha moeda! Esse motorista, cujo nome eu não sei, se preocupou comigo, com mais um entre os milhares de passageiros que pega todos os dias! Talvez a gente nunca se viu, e provavelmente não vamos nos ver de novo. Não temos (ou tínhamos) o menor vínculo e ainda assim, ele estendeu a mão para me ajudar. Cara, é incrível isso!

Aí que a gente começa a pensar. Olha em que ponto nós chegamos. Quando uma pessoa ajuda a outra, nós ficamos surpresos! Ficamos deslumbrados. É tanta escrotidão no mundo que um gesto de ajuda é algo surpreendente. Se o motorista quisesse, ele teria me expulsado do ônibus e eu aceitaria calado, achando a coisa mais justa do mundo. Não, ele não me expulsou! É legal demais isso.

Legal não é o fato de ele ter deixado eu subir de novo, mesmo, aparentemente, sem ter como pagar pela passagem. O legal é que ajudou...

Eu poderia falar bastante sobre solidariedade aqui, sobre a forma que as coisas estão hoje em dia, mas não quero transformar essa postagem em algo filosófico ou mais meloso do que já está. Só queria compartilhar com vocês, leitores, o que aconteceu hoje e deixar alguma forma de agradecimento e, especialmente, parabenização ao cara.

São essas pequenas coisas que melhoram o nosso humor sensivelmente e ainda me dão um restinho de fé na humanidade.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Colossus: "Respect the classics, man!"

Colossus, com sua capota removída. Um clássico dos anos 80! (Foto: Lucas Conrado)
Lá pra outubro, ou novembro de 1997, minha mãe começou a fazer comigo um dos maiores mindgames que eu já vi. Ela começou a me falar de um carrinho de controle remoto dos anos 80 que era uma picape gigantesca, que ia para frente, para trás e que virava para os lados, que tinha tração nas duas e nas quatro rodas e o mais legal: Acendia os faróis! A propaganda foi tanta que eu acabei transformando aquele carrinho em sonho de consumo e me tornei o menino mais feliz do mundo ao ganhar, no Natal, o tão sonhado carrinho: O Colossus.

A GMC Sierra Grande do Duro na Queda inspirou o Colossus.
(foto:Reprodução da internet)
O Colossus foi o sonho de consumo de uma geração que, curiosamente, não foi a minha. Na verdade, só conheço um cara da minha idade que conheceu (e teve) um Colossus. Acontece que eu nasci em 1989, um ano antes de o Colossus parar de ser produzido. O carro foi lançado pela Estrela em 1984, inspirado na picape GMC Sierra Grande 4x4 do seriado Duro na Queda. Como eu disse acima, ele era fantástico porque tinha tração nas duas ou quatro rodas (os pneus eram de borracha), era completamente controlável, indo para frente, para trás e para os lados, além de acender os faróis quando apertávamos um botão no controle remoto. Outra coisa legal era que a capota da caçamba poderia ser removida, podendo ser uma SUV estilo Blazer ou uma picape mesmo. O Colossus foi lançado em duas cores: vermelho e prata, e fazia parte de uma coleção de carros de controle remoto da Estrela, que contavam com o Pegasus e com o Maximus.

Colossus com capota e faróis acesos.
(Foto: Lucas Conrado)
Quem já viu um Colossus de perto, deve ter reparado nos adesivos escritos "Lubrax", nas portas. Esses adesivos estavam aí porque o carro foi projetado, em conjunto, pela Estrela e pela Petrobras, que ganhou o direito de fazer propagandas nele. E, por falar em combustível, comprar as 13 pilhas que ele exige para funcionar sai tão caro quanto abastecer um carro de verdade. São seis pilhas de tamanho normal para o controle remoto, mais duas pilhas para acender os faróis e cinco pilhas grandes, tamanho D, para mover os mais de dois quilos que o carro (chamar o Colossus de carrinho é uma ofensa) pesa. Sério, comprar as pilhas pra mover o Colossus custa por volta de 60 reais, aqui no Rio de Janeiro!

Colossus sem capota.
(Foto: Lucas Conrado)
Por causa desse alto custo, meu Colossus ficou parado por mais de dez anos. A última vez que eu tinha brincado com ele foi, sei lá, em 2001, 2002 se muito. Depois disso, ele ficou dentro da caixa por muito tempo. Até que uma garota chamada Amanda entra nessa história.

Conheci a Amanda cinco dias antes do meu aniversário de 23 anos e logo de cara nos demos superbem. Numa de nossas inúmeras conversas, falei com ela sobre o Colossus. Mais ou menos o que eu disse nesse texto, inclusive a parte do preço das pilhas ter mantido o carro guardado por tanto tempo. Falei disso, mudei de assunto e beleza. Chegou o meu aniversário e a convidei para minha comemoração. Ela chegou com uma sacola e, disse que era uma surpresa para mim. Ao abrir a sacola, realmente, era uma surpresa. A garota comprou quase todas as pilhas que eu precisava para botar o Colossus na ativa novamente! Só faltou uma pilha D, que comprei depois, mas foi um presente superlegal! Coloquei as pilhas no carro e não é que ele funcionou direitinho?
Você não está contando errado. São 13 pilhas mesmo aí!
(Foto: Lucas Conrado)

Sério, é muito legal ver um clássico andando novamente. Especialmente se esse clássico marcou a sua infância como o Colossus marcou a minha. Ver o carro novamente em ação foi tão legal que gravei esse vídeo, postado no Youtube e retuitado pelo Azaghal, que elogiou tanto o Colossus no Nerdcast sobre brinquedos dos anos 80.


Sério, nunca existiu um carro de controle remoto (a pilha) que pudesse chegar aos pés do Colossus (ou de seus irmãos, Pegasus e Maximus). Tanto que a Estrela inventou de "relançar" o Colossus recentemente, o que acabou se tornando uma cagada maior que as mudanças que o George Lucas fez na trilogia original de Star Wars (Han atira primeiro, sim e Hayden Christensen como fantasma do Anakin é o cacete!). Os caras importaram um carrinho chinês genérico, sem a menor qualidade, pelas críticas que li na internet, e deram o nome de Colossus.

Isso só vem a confirmar a minha teoria de que hoje em dia, não se faz mais nada como nos anos 80!

sexta-feira, 2 de março de 2012

LAMBDA LAMBDA LAMBDA NERDS!!!

A postagem de hoje é pra quem sabe o que significa megaboga. Para quem adora escrotizar as coisas. Para quem entende o que é a Regra dos 15 Anos. E, especialmente, para quem é seguidor da sabedoria megaboga do Senhor K e para aqueles que já têm decorados o Protocolo Bluehand, que vai salvar as nossas vidas no próximo dia 21 de dezembro. Hoje, o Alotoni e o Azaghal completaram 6 anos de podcasts. Publicaram o Nerdcast de número 300!

Nunca fui muito fã de podcasts. Achava a ideia de passar mais de uma hora ouvindo um programa no fone de ouvido impensável! Até já haviam me falado desse tal de Nerdcast, mas eu sempre adiava, sempre deixava pra ouvir depois. Foi assim até meados de 2010, quando publicaram o Nerdcast sobre O Guia do Mochileiro das Galáxias. Ouvi, achei bem legal, mas, assim como aconteceu com Jorge Drexler, ouvi uma vez e larguei pra lá. Foi no carnaval do ano passado que pensei "vou passar oito horas na estrada, e não vou ter nada pra fazer... Será que aquele tal de Nerdcast é bom?". Baixei meia dúzia, coloquei no celular e me viciei. Boa parte do ano que passou, estive de fone no ouvido, ouvindo as histórias do Alotoni, Azaghal e cia ltda!

Mas, afinal, o que é o Nerdcast? O Nerdcast é o podcast do portal Jovem Nerd. Foi ao ar pela primeira vez em meados de 2006 e, desde então, tem alegrado (ainda mais) a sexta-feira de nerds do Brasil e do mundo. Comandado pelo Alexandre Otoni (o Jovem Nerd) e pelo Davie Pazos (ou Azaghal, o Senhor da Oceania), e contando com uma equipe variada de nerds, o podcast fala sempre sobre algum assunto diferente, mas sempre com a visão nerd da parada. Falam sobre tudo, desde Star Wars até casamento, sempre zoando e escrotizando os assuntos, mas sem perder a credibilidade. Por falar em escrotizar, desde que comecei a ouvir o podcast, o meu vocabulário foi enriquecido com termos como "escrotidão", "tocado pelo divino", "megaboga" entre tantos outros.

Ah, sou fanático pelo podcast! Aliás, adquiri o hábito de ouvir podcasts, passando a ouvir também o RapaduraCast (podcast que pretendo falar sobre em breve), Matando Robôs Gigantes e, mais recentemente, o podcast voltado para o universo Star Wars, o CantinaCast. Quem ainda não conhece o trabalho da equipe do Jovem Nerd, corram até o site e não perca tempo!

Ouça o programa que, eu garanto, é megaboga!

Aproveito pra deixar a lista dos meus Nerdcasts favoritos. Eles não estão em ordem de preferência.

#283 - Vírus, bactérias e macacos
#282 - Tinha que ser o Chaves!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

...quatro anos depois...

29 de fevereiro de 2012. Se eu não tivesse escrito aqui no blog o que fiz no dia 29 de fevereiro de 2008, eu certamente não saberia. Não lembrava que tinha ido ao Shopping Nova América, não lembrava que tinha ganhado outro MP4 nesse dia, e não faço a menor ideia de quem seja essa menina mais linda das Gerais que eu vi quatro anos atrás.

Em 29 de fevereiro de 2012, realmente estou terminando a faculdade de Jornalismo. Realmente, estou num estágio, mas não, não estou procurando empregos em Divinópolis, Belo Horizonte, muito menos em Porto Alegre. Não tenho carro, carteira de motorista, mas, sim, conheci alguém legal e que parece ser quem eu procurava...

O que eu fiz hoje? Bem, acordei, joguei Fifa 11 no Wii, fui almoçar numa lanchonete legal com o pessoal do trabalho, trabalhei, jantei com um amigo e vim embora pra jogar mais videogame e escrever no blog. Sim, o blog ainda existe. Anda meio capenga, mas existe. O mundo também anda meio capenga, mas ainda existe.

Fica aqui um pequeno registro desse dia que acontece a cada quatro anos. Onde estarei no dia 29 de fevereiro de 2016? Não faço ideia. O que estarei fazendo? Nem imagino. E, ao contrário do que fiz quatro anos atrás, não farei novos planos... Aliás, se o blog ainda existir, escrevo novamente sobre isso.

Até logo, 29 de fevereiro!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

À procura da Felicidade

Que tal um pouco de filosofia, pra começar a temporada 2012 do blog? E quero ir direto a um assunto grande: Felicidade.

Depois de muito pensar sobre o assunto, cheguei a uma conclusão: Tudo o que fazemos na nossa vida, fazemos procurando a Felicidade. Quando eu falo em Felicidade, não estou falando daquele sentimento alegre, que conseguimos quando temos um trabalho legal, dinheiro ou o amor da nossa vida (ou até pode ser, dependendo do caso). Estou falando de algo bem maior, algo quase inexplicável e inalcançável. Tudo que fazemos é por esse bem maior.

Até as coisas que fazemos sem nos satisfazer, tipo um trabalho chato, vacinas, dietas, fazemos com o objetivo de alcançarmos a Felicidade. Felicidade que eu digo aqui, fui ler depois, é o que os filósofos gregos chamavam de Sumo Bem, um Bem maior. Na verdade, é uma linha de pensamento parecida, com a diferença de que, para eles, esse Bem Maior seria alcançado através da Filosofia. No meu pensamento, esse bem maior é alcançado de diversas formas. Na verdade, cada um tem sua própria Felicidade. E é aí que começam os problemas.

De uns tempos pra cá, o conceito de felicidade passou a ser uma carreira de sucesso, muito dinheiro no banco, um alto cargo numa grande empresa, uma casa num bairro chique de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Colocando meu caso pessoal na história: Faço faculdade de Jornalismo. Para a sociedade, serei feliz no dia que eu for âncora do Jornal Nacional, com um casarão num condomínio de luxo da Barra da Tijuca, ou então o gerente de uma grande agência de assessoria de comunicação, atendendo a diversas empresas multinacionais, com contatos com os melhores jornalistas. Para isso, devo morar aqui no Rio de Janeiro ou em São Paulo, porque são os únicos lugares cujo mercado me permitiria isso.

Esse que é o problema. Batem tanto isso na nossa cabeça que acabamos nos convencendo que isso é o que vai nos fazer feliz. Quando eu digo que não, não quero ser um âncora de um grande canal de televisão, não quero ser o gerente de uma grande agência de comunicação, quando quero morar no interior de Minas Gerais, ou mesmo em Belo Horizonte, as pessoas me olham estranho, como se eu fosse um alienígena, um maluco, ou uma pessoa inocente que não consegue ver o mundo como é. Agora, eu me pergunto: Será que os inocentes não são eles, que se deixaram vender para esses valores, que, muitas vezes, abriram mão do próprio sonho para dar lugar ao sonho que todos batem na nossa cabeça para perseguirmos?

Não, não condeno quem procura isso. Não acho que as pessoas que vão atrás desse sonho de sucesso profissional numa grande capital brasileira e num cargo de respeito seja uma pessoa pior. Não condeno as pessoas cujo sonho seja dinheiro, um emprego de sucesso, um iPad ou uma camisa de marca. De forma alguma. O grande problema pra mim é quando começam a colocar esses valores na cabeça de outras pessoas, as forçando abrir mão de seus sonhos para perseguirem esses, vendidos para a sociedade. Esse é o problema.

Mas, afinal, o que é Felicidade? E vale tudo para ir atrás dela? Felicidade é variável. O que é Felicidade para mim pode não ser para você. Pra mim, Felicidade pode ser ganhar menos, mas morar em Belo Horizonte, que é a cidade que mais gostaria de morar. Para outra pessoa, vale a pena morar em Ipanema e receber um salário astronômico. Outra pessoa pode achar que abandonar a vida urbana e ir morar numa fazendinha simples no interior do país é Felicidade E tudo isso é muito justo! Tudo isso é Felicidade. É por isso que não condeno uma pessoa que, por exemplo, ouve Restart. Posso não gostar, mas se a pessoa gosta, o que eu tenho com isso? Se a pessoa é homossexual, se gosta de uma pessoa do mesmo sexo, vá atrás! Lute pelo seu amor! Se isso vai te fazer Feliz, viva sua vida! A pessoa quer ser hippie? Não está prejudicando outras pessoas? Então corra atrás do seu objetivo de vida. Na minha filosofia, tudo que não tem a intenção de prejudicar os outros é válido, para alcançarmos a felicidade.

Sim, que não tenha a intenção de prejudicar outros. Acredito que minha liberdade termina onde começa a liberdade do próximo. Um exemplo aleatório: Sou atleticano. Adoro assistir aos jogos do Atlético, vou para Minas todo fim de semana para ver o jogo no estádio. Estou prejudicando alguém? Não. Estou torrando meu dinheiro "a toa"? Posso até estar. Mas faço isso porque sou feliz assim e não prejudico ninguém fazendo isso. Isso não dá a ninguém o direito de me recriminar ou de tentar me convencer de que isso não é certo. Não estou fazendo mal a ninguém indo a Minas toda semana para ver jogos do Atlético. Agora, a partir do momento que eu passo a brigar com torcedores de outros times por causa disso, por mais que espancar um cruzeirense me faria "Feliz", isso não seria válido. Ainda mais se a pessoa não briga por causa disso, se a pessoa apanha de graça. A Felicidade de uma pessoa não pode violar a integridade de outra.

Aí caímos na seguinte situação: Eu e meu melhor amigo somos apaixonados pela mesma garota. Devo abrir mão desse amor, para não prejudicar esse meu amigo? Aí caímos na questão da intenção dos nossos atos. Se eu começar a namorar a menina porque eu quero, porque aquilo vai nos fazer bem, é válido. Por mais que isso cause um dano num amigo meu, não é minha intenção prejudicá-lo. Infelizmente, é a regra do jogo, um vence, o outro não. O mesmo poderia acontecer do outro lado, ele poderia começar a namorá-la e eu a perderia. Não há o que fazer. Mas, mais uma vez, isso é válido dependendo das intenções. Não seria válido, por exemplo, eu começar a namorá-la para sacanear o meu amigo. Trapacear, atrapalhar um namoro ou algo do gênero para conseguir isso. 

Essa questão do que é válido ou não na procura pela Felicidade é uma ciência inexata. Não existe uma regra, cada caso precisa ser analisado. Mas é mais ou menos como enxergo as coisas. O texto ficou imenso, mas é algo que eu pensava em postar aqui há muito tempo.

E que em 2012, venham mais textos!

Lucas Conrado

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Poesia em forma de lugar

Oh my Belo Horizonte
You're the only light I see
Oh my Belo Horizonte
You're the only one for me
(Dick Dale - Belo Horizonte)



Poesia em forma de Lugar - Lucas Conrado (Flickr)


Belo Horizonte. Acho esse um nome lindo, imponente. Gosto muito mais do nome completo, Belo Horizonte, do que da sigla, Beagá. Belo Horizonte é pomposo, tem jeito de Belle Epoque, arquitetura mais para o estilo clássico. Beagá é simples demais, parecendo arquitetura contemporânea, reta, direta e sem graça.

Belo Horizonte. Ao pensar na cidade, são tantas lembranças, tantas pessoas, tantas emoções. São tantos lugares... O Parque das Mangabeiras, o Parque Municipal, a Lagoa da Pampulha, a Praça da Liberdade, a UFMG, o Mineirão... São tantos lugares nesta linda cidade, que hoje completa 114 anos, que estive e que gostaria de voltar todos os dias. São tantos sorrisos, lágrimas, dias de disposição e dias de doença que me deixaram de cama que me trazem um aperto no peito, uma saudade incontrolável, uma vontade de trancar a faculdade, pedir demissão e voltar para Belo Horizonte.

Belo Horizonte. Cidade de grandes contrastes, cidade de alegrias indescritíveis, de saudades, de amores correspondidos e não correspondidos, cidade grande com gostinho de interior. Cidade com o movimento infernal da Afonso Pena durante as tardes de semana, mas ao mesmo tempo, as noites calmas de interior do Teixeira Dias, silenciosas a ponto de você ouvir uma agulha cair do outro lado da rua. Cidade de gritos, cantos, de pensar que o coração vai explodir no peito nos domingos de jogos no Mineirão. Cidade de beijos, de abraços, de mãos dadas e de silêncio cúmplice em manhãs no Parque das Mangabeiras, tardes na Praça da Liberdade e noites na Pampulha. Cidade de madrugadas e madrugadas de videogame regadas à Coca Cola e cachorro quente que provocam uma queimação na barriga dias depois, queimação que vai embora para podermos nos entupir novamente de refrigerante, enquanto jogamos videogame.

Belo Horizonte. Cidade que justifica o nome. Cidade onde os prédios se misturam à Serra do Curral, que se mistura ao céu, formando um belíssimo horizonte. Cidade onde as águas da Lagoa da Pampulha se misturam à arquitetura modernista de Niemeyer, formando uma fluidez sem igual. Cidade onde as árvores do Parque Municipal surgem no meio da selva de concreto, uma ilha de tranquilidade e sossego no meio de uma cidade com cara de metrópole, mas alma de interior.

Belo Horizonte. Cidade dos meus sonhos. Cidade onde quero morar no futuro, onde quero me casar, onde quero criar meus filhos, onde quero fazer carreira e onde quero me aposentar. Cidade onde tive alguns dos melhores momentos da minha vida e onde quero ter ainda tantos outros bons momentos. Cidade que amo radicalmente, que eu quero ficar.

Belo Horizonte. Parafraseando Felipe Peixotto Braga Netto, poesia em forma de lugar.

Lucas Conrado

domingo, 4 de dezembro de 2011

Uma crônica de coração e sonhos despedaçados

Sou um romântico. Romântico à moda antiga, que quer se casar e ter filhos. Vou relatar nas linhas abaixo, o sonho que eu tinha há exatos 11 meses. Antes, uma pequena contextualização da época.

Em janeiro de 2011, estava no auge da minha felicidade. Um estágio legal, num grande canal de TV e que pagava bem, férias chegando, tinha alguém que dizia gostar de mim. Tudo que um cara com quase 22 anos gostaria de ter. Além dessas realizações, eu tinha um sonho, que contei para essa garota num ônibus, voltando de Ouro Preto. O sonho era:

Dali a alguns anos, nós iríamos nos casar. Eu estaria morando em Belo Horizonte, perto dela, poderíamos dividir um apartamento e começar uma vida a dois. Depois de alguns anos juntos, com carreira estabilizada (na medida do possível, contando que eram duas pessoas formadas em Jornalismo), poderíamos ter filhos. Dois estão de bom tamanho.
Quando tivéssemos filhos, iríamos, nos fins de semana (que não viajássemos pra Carmo do Cajuru, Piranga, Ouro Preto ou qualquer outra cidade dessas), ao parque. Parque Municipal, Parque das Mangabeiras, Parque Ecológico da Pampulha, Lagoa do Nado, etc... Não gosto desse negócio de shopping (apesar de ir a um todo final de semana), prefiro o ar livre. A garota de quem eu gostava também tem essa opinião. Durante todo tempo que ficamos juntos, só íamos ao shopping para ir ao cinema. Isso porque cinemas na rua são cada vez mais raros na Belo Horizonte de hoje. Bem, mas voltando, criaria meus filhos nos parques, brincando ao ar livre.
Os guris teriam um time definido (pelo pai). Seriam atleticanos. A mãe era cruzeirense, mas pergunta pra ela o nome de três jogadores do Cruzeiro? Os guris teriam de seguir o pai, conhecedor da história do clube, orgulhoso de mostrar ao mundo a camisa alvinegra. Todo domingo iríamos ao Mineirão, comer tropeirão e vibrar com mais uma vitória do time! Se o time perdesse, paciência, no jogo seguinte estaríamos lá de volta e vibraríamos com uma vitória que certamente viria!

E assim viveria minha vida, nossas vidas. Felizes para sempre? Sei lá, não sei se acredito em contos de fada. Mas viveríamos felizes. 

Bem, esse era o meu sonho. Sonho que, pouco a pouco, e pelas mãos de muitos, foi sendo destruído. Pra começar, a garota foi embora. E hoje, vi um golpe duríssimo direto no meu coração, quase tão duro quanto aquela noite de sábado que ela me disse que não queria mais nada comigo. A falta de comprometimento, de caráter do Clube Atlético Mineiro com seus milhões de torcedores, que se mobilizaram no Brasil inteiro para ver o time jogar foi um golpe duro demais para esse meu coração suportar.

Vou dormir hoje com o coração em pedaços, como venho fazendo ao longo do ano. Quando finalmente colo os cacos de um relacionamento subitamente terminado (NÃO VENHA ME FALAR QUE NÃO FOI ASSIM PORQUE FOI!), vem o Atlético, último repositório do meu amor pra me trair desse jeito.

O pior, para o Cruzeiro da minha ex-namorada!

domingo, 2 de outubro de 2011

Lo que doleria por siempre ya se desvanece...

Mejor o peor, cada cual seguirá su camino
Cuanto te quice, quizás, seguirás sin saberlo
Lo que doleria por siempre ya se desvanece...
(Jorge Drexler - La Vida es Más Compleja de lo que Parece)

É muito estranho. Estranho passar o dia ao seu lado sem te desejar. É estranho ter você por perto e não querer mais te abraçar, te beijar. É esquisito ler os e-mails antigos, as mensagens no celular da mesma forma que se lê um livro, uma história de outras pessoas. Ouvir a nossa música num show, trocar olhares e não sentir todas aquelas sensações que imaginei que teria nesse momento. É diferente isso, essa sensação de que as memórias são apenas sonhos terminados e que aquele sentimento que cresceu comigo nos últimos dois anos simplesmente terminou. Morreu. Acabou.
Não falo da amizade. Ela segue intacta, firme, forte, muito bem, obrigado. Falo daquele algo a mais, sem um nome certo que me acompanhou e me levou mais longe que eu sonhei chegar um dia. Bem, vamos chamar esse sentimento de 'amor', por falta de um nome melhor. O 'amor' acabou, não resistiu à distância. Não estou falando da distância física, geográfica. Não estou falando de rios, florestas e montanhas. À essa distância, o 'amor' resiste. Estou falando da distância entre duas pessoas tão iguais e ao mesmo tempo diferentes, que o acaso inventou de cruzar. Este acabou.
Estou só escrevendo aqui o que eu não consegui te dizer ao vivo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Feliz Cumpleaños!!!

Você adora me atormentar. 
Adora contar piadas pra me deixar sem graça.
Não perde a chance de me fazer sentir um bobão!
Você já me tirou noites e noites de sono. 
Já me fez acordar no meio da madrugada pra te ligar.
Já me fez rolar de um lado para o outro da cama inúmeras vezes, sem pregar os olhos.
Você já me fez perder, ao menos, uma garota que gostava de mim.
Já me fez chorar como uma criança inúmeras vezes, mesmo tendo barba no rosto...

Apesar disso tudo, você é minha melhor amiga. Sabe por quê?

Com você do meu lado, cheguei mais longe do que sonhei chegar.
Com você conheci Ouro Preto, conheci outro país, conheci a neve.
Para você, contei segredos que tinha prometido a mim mesmo nunca revelar a ninguém.
Você conheceu meus temores como ninguém, minhas qualidades como ninguém.
Você me conheceu como ninguém mais.

Você é minha melhor amiga porque esteve sempre ao meu lado, mesmo estando em outras cidades, estados e até países.
Naqueles dias que adoeci, você esteve sempre ao meu lado.
Naquelas noites de febre, você não se afastou de mim em nenhum momento.
Você me mostrou o verdadeiro significado da palavra 'amizade'.
Ri muito em sua companhia.
Tive seu ombro nas vezes que chorei ao seu lado.
Tive suas palavras quando precisei de um conselho.
Tive seu bom senso quando meus sonhos me faziam voar cada vez mais alto.

É por isso e muito mais que hoje, no seu aniversário, te desejo toda felicidade do mundo.
É por essas e outras que eu sempre agradeço muito por ter uma amiga como você!
É por isso que você sempre está nas minhas orações, no meu desejo por sucesso, saúde, felicidade e amor.
Que esse seu 21º ano seja repleto de realizações, aprendizados e experiências incríveis e inesquecíveis. Que você continue sempre sendo essa pessoa inteligente, esforçada, batalhadora, essa Mulher com M maiúsculo, que batalha e sempre batalhou muito pelo que sempre quis. Continue batalhando, que você está no caminho certo para o sucesso.

Mas, se você permite que eu dê um conselho de amigo, permita-se sonhar mais. Tire os pés do chão só um pouquinho. Isso faz um bem danado!

Se um dia fui duro com você, não foi por mal. Se um dia te feri por algo que eu disse, não foi de coração.
Mas se um dia eu te agradeci por tudo que vivemos juntos e te elogiei, por sua inteligência, por seu talento, pelo seu esforço e sua beleza, saiba que foi com toda sinceridade e gratidão que tenho dentro de mim.
Para você, minha melhor amiga, feliz aniversário.

Lucas Conrado

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Por que torcemos?

Mudei de cidade
Mudei de partido político
Mudei de religião e ao catolicismo voltei
(...)
Eu só não mudei de time. Faça sol, faça chuva, anoiteça ou amanheça, na alegria e na dor, eu só não mudei de time.
Roberto Drummond - Amor em preto e branco


Sempre me perguntei por que idolatramos um time de futebol. Tentando racionalizar, não ganhamos nada quando nosso time vence. Não perdemos nada quando nosso time é derrotado. Ainda assim, nosso domingo pode ser salvo com uma vitória ou podemos passar a semana mal-humorados após uma derrota. Pessoas terminam relacionamentos pelo futebol. Se matam pelo futebol. Viajam centenas de quilômetros e gastam grana preta por um time de futebol. Na hora do gol, pessoas desconhecidas se abraçam como grandes amigos. A pergunta que não cala: Por quê?

Hoje, vindo para casa, passei numa livraria e comprei o livro "Bilhões e Bilhões" de Carl Sagan. No livro, o astrônomo fala sobre diversos temas, desde a possibilidade de existência de vida em Marte até aquecimento global, quase 10 anos antes de o tema cair nas graças da grande mídia. No terceiro capítulo "os caçadores de segunda-feira à noite", Sagan se propõe a explicar justamente por que milhões de pessoas torcem por um time.

As Olimpíadas surgiram na Grécia Antiga como uma alternativa pacífica à guerra. Ao invés de se degladiarem num campo de batalha, os homens gregos passaram a disputar quem era mais apto em diversas categorias, muitas delas, simulações de aspectos do campo de batalha. Por exemplo, arremesso de dardo, corrida, arco e flecha e as lutas num geral. Os homens com melhor pontaria, força no braço e maior velocidade eram, teoricamente, os mais aptos ao campo de batalha.

Hoje, os esportes não têm essa conotação, pelo menos não tão claramente. Mas eles nos despertam uma sensação de união, de civismo e, em muitos casos, de identificação com uma cidade ou com um povo, especialmente nos Estados Unidos, onde cada cidade tem seu time de futebol americano, basquete e beisebol. No Brasil, onde as principais capitais têm 2 ou 4 times grandes e a mídia colabora muito para a construção da torcida de alguns times no país inteiro, essa sensação de identificação com a cidade/estado é menor, mas não é inexistente.

Vamos ao Sul do Brasil. Sem querer esteriotipar, mas já esteriotipando, o gaúcho é muito ligado a seu estado. Quando o Grêmio ou o Internacional entra em campo contra um time de fora do estado, surge em muitos torcedores a sensação de que é o Rio Grande do Sul contra alguém de fora. Me lembro da narração de um gol do Inter na Libertadores da América, onde o narrador gritava a plenos pulmões que era um gol do estado. Tem como não dizer que o time pode representar um povo? Há ainda aquela situação onde uma equipe chega à final de uma competição internacional, como a própria Libertadores, e muita gente, que torce por outros times, torce por ela durante aqueles 105 minutos. Afinal, como diria Galvão Bueno "É o Brasil em campo!"

A vontade de torcer vem da nossa necessidade de estarmos envolvidos numa vitória em uma "batalha", mesmo que isso não nos provoque esforço ou cansaço. É um resquício da época em que nossos ancestrais precisavam caçar e trabalhar em equipe para sobreviver. Aqueles que caçavam, passavam seus genes mais a diante e, milênios depois, chegamos nas torcidas de futebol, vôlei, basquete ou seja lá que esporte for.

Claro que aqui dei uma pincelada no tema, com uma explicação muito superficial. Sem querer fazer propaganda, caso queira saber sobre o tema mais profundamente, dê uma olhada no livro. Se é verdade ou não, eu não sei, mas é muito interessante.
Lucas C. Silva

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

aB dB

Semana passada, eu procurava uma foto específica, com uns amigos da faculdade. Não lembrava exatamente de quando a foto era, sabia que era de meados de 2009 ou 2010. Foi aí que me peguei pensando algo que ando pensando muito nos últimos tempos:

"Quando a gente tirou essa foto, eu já conhecia a B. Então a foto é de depois de junho de 2009."

Apesar de saber que meu relacionamento com a B. terminou de uma forma que não tem volta, apesar de hoje não sentir nada por ela (além daquele carinho que temos por nossos amigos), ela ainda é um parâmetro para minha vida. Um parâmetro temporal, mas um parâmetro. Vários acontecimentos da minha vida nos últimos anos são marcados por essa pergunta. "Quando eu fiz isso/ fui nesse lugar/ ouvia essa música, eu já conhecia a B.?". Ou pelo pensamento "Cara, da última vez que eu fiz isso/ fui nesse lugar/ ouvi essa música eu ainda não conhecia a B.!"

Sou um romântico inveterado, confesso. Tenho uma certa facilidade para me apaixonar. Mas nunca antes eu tinha dividido minha vida entre antes e depois de uma paixão. Claro que o que eu tive com a B. é diferente do que eu tive com as outras garotas. Estará aí o motivo de eu ter dividido minha vida em aB e dB?


Querendo embasar essa filosofia de buteco e dar uma de pseudo, vou  botar um teórico na história. Segundo Quezé (um sociólogo francês, se eu não me engano - joga no Google), um acontecimento é algo que abre possibilidades de futuro e muda a leitura do passado. Por exemplo, o 11 de Setembro mudou a história e, ao mesmo tempo, fez os especialistas em segurança perceberem uma série de erros de segurança que cometiam antes. Em resumo, mudou o futuro e a leitura do passado.

Passando para um exemplo menos trágico, o simples fato de eu ter conversado com a B., transformou todo o meu futuro. Desde o relacionamento que tivemos até o fato de eu ter conhecido a neve foi uma decorrência de falar com a B. Além disso, conhecer a B. mudou minha leitura do passado. Pelo menos do fato de ter conhecido a B. ou não quando os eventos aconteceram.

Bem, é isso. Não sei se falei, falei, falei e não falei nada, ou o quê. Só sei que queria compartilhar com alguém essa mania estranha que eu adquiri nos últimos tempos.

Até breve!

Lucas C. Silva

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sobre amizades de um dia e meninas bonitas no metrô

Onde estão
Todas as crianças
Todas as pessoas
Que eu já chamei
Que eu procurei aqui
E que eu tanto amei?
Onde estão meus irmãos?
Onde estão?
(Samuel Rosa, Nando Reis - Onde Estão?)

Fim de expediente, hora de ir pra casa. Entro no ônibus com umas outras 30 pessoas e, no meio de toda essa gente, alguém em especial me chama atenção. Ela é loira, ou morena. Alta ou baixa. Seus olhos são verdes, azuis ou castanhos. A pele é morena, ou é clara. Ela é linda! Eu, bom nerd e metido a fotógrafo, fico apenas a olhá-la de longe, meio voyeur, tentando pescar cada detalhe de seu belo rosto. Então ela dá sinal, desce do ônibus e some da minha vida para todo o sempre. Em dois dias, já a terei esquecido.

Fila longa. No mercado, no aeroporto, no posto de saúde, no banco ou no parque de diversões. A pessoa a sua frente, de repente, começa a conversar com você. Sobre o dia quente, ou frio. Sobre o tamanho absurdo da fila. Sobre o jogo de domingo, ou a corrida de Fórmula 1. Sobre a vida, o universo e tudo mais. Surge uma afinidade entre você e a pessoa, mas, de repente, a fila termina. Cada um segue seu caminho sem sequer, em muitas das vezes, se lembrar da existência da outra pessoa. Talvez, se houvessem trocado contatos, poderia surgir ali uma grande amizade. Ou um amor pra vida inteira. Uma parceria que mudaria a humanidade? Talvez...

Sempre que vejo uma garota bonita no ônibus, ou que converso com alguém numa fila ou numa viagem, quero (e guardo esse desejo para mim) de saber mais sobre a pessoa. Gostaria de saber qual é o nome dela, onde vive, quais são os gostos em comum comigo, para onde vai e, em alguns casos, onde foi parar depois de todos esses anos? Será que as pessoas que conheci ainda estão vivas? Ainda estão no Brasil? Se lembrarão de mim caso os veja? E eu, me lembrarei delas?

Estou escrevendo isso porque uma grande amiga minha foi ao Chile, Peru e Bolívia em julho e disse que conheceu várias pessoas que ela nunca mais encontraria, mas que gostaria de saber mais sobre elas. Justamente o meu "drama". Quantas delas a minha amiga se lembrará no mês que vem? E no ano que vem, quantas dessas pessoas ela se lembrará de rosto, ou de nome? E eu, quantos amigos de um dia só e meninas lindas do ônibus ainda me lembro? Se forem 5, são muitos. E ainda assim, mal lembro dos rostos deles.

E você? De quantos se lembra?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Antônia, a rua e o conto

Após algumas postagens, a Tássia Veríssimo volta ao Meus Pensamentos, dessa vez com um conto. Nossa amiga, que tem sobrenome e talento de escritor  está concorrendo no prêmio Eu Amo Escrever, da loja Cantão. Os vencedores terão seus textos publicados.

Leiam o texto com carinho e, se curtirem, CLIQUE AQUI para votar na Tássia! É só clicar no 5° coraçãozinho! Deem essa força, pessoal!

Antônia, a rua e o conto
Por Tássia Veríssimo

Subindo a rua que dava para seu apartamento na zona norte do Rio de Janeiro Antônia ia pensando sobre a ideia antiga, e sempre empurrada com abarriga, de voltar a escrever. Voltar era modo de dizer, afinal nunca escreveunada que achasse que valia a pena. Fez uns livrinhos de papel grampeadoquando criança e na adolescência escreveu uma aventura infantojuvenil que sepretendia ser ao estilo Pedro Bandeira, mas que teve como único leitor seu pai.A timidez não permitiu que deixasse mais ninguém ler. O arquivo foi perdidona troca de computador na qual não foi feito back up do texto, o pai acabouperdendo o original em meio a sua papelada e assim morreu a carreira quenunca nasceu de Antônia.

Pensava que de desse modo havia sido toda sua vida, um amontoado de planos inacabados e histórias por contar. O balé que ficou pelo meio, a natação que nunca a conseguir fazer aprender a nadar, as aulas de piano esquecidas na poeira do tempo. Uma sucessão de quases e de projetos que não deram em nada.

Vinte e três anos, recém fornada em comunicação, logo ela que tem vergonha até de fazer um telefonema!, tentando um mestrado para falar sobre sei lá o que. Por um tempo pensou que a carreira acadêmica era para ela, mas será que tem talento para dar aulas? Será que quer dar aulas?

O que Antônia quer? Pensava consigo mesma se referindo a ela própria à moda Pelé, em terceira pessoa. Ia tão absorta em seus pensamentos que tropeçou em uma pedra. Não caiu, mas cambaleou. Pensou que toda vida fora assim. Tropeços por sonhar acordada, por viver em um mundo à parte, onde imaginação e realidade muitas vezes se confundiram.

Tantos sonhos! Acreditou por muito tempo que conseguiria abarcar o mundo com os pés. Ser escritora, ter uma livraria pequena e aconchegante, onde crianças fizessem roda para ouvir contadores de história e onde adultos se sentissem à vontade para tomar um café e folhear os livros. Ter sua própria marca de roupas, poder criar modelos, adorava moda, sempre gostou. Escrever livros de sucesso, romances. Viajar o mundo!

Sonhos excludentes? Achava que não. Qual o mal de alguém que goste de literatura também ser apaixonado por moda? Não entendia porque Chanel e Dostoievisk não podiam andar juntos em seus planos.

Acabou em comunicação, que não era nem moda, nem letras. Mas comunicar não fazia muito bem. Seguia a vida, emprego médio, mas agradecia por ter algo com o que pagar a sua metade nas contas do apartamento dividido com outras duas colegas. Fazia cursinho para tentar um emprego público, estabilidade não iria mal, achava que já estava velha para viver com a cabeça nas nuvens. Namorava um cara legal. Escrever ia ficando cada vez mais distante. A vida cada vez mais monótona.

Ficou sabendo de um concurso cultural para contos, focado em jovens autores, com bom prêmio e chance de publicação. Era nisso que pensava ao subir a rua. Uma chance de escrever, quem sabe ser publicada, talvez uma oportunidade de sair da inércia na qual sua vida havia se transformado.

Nesse momento, ao cruzar a portaria percebeu que a menina que desenhava e escrevia livros em papel ofício, com páginas grampeadas e vendia para a família ressurgiu. Seus os olhos castanhos brilharam. Chegou ao apartamento. Décimo oitavo andar. Ligou o computador. Tela em branco. A vida em branco. Teve então a certeza que todos os sonhos do mundo caberiam ali. Se sentiu feliz como há muito tempo não se lembrava de ser.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

CHI CHI CHI LÊ LÊ LÊ! VIVA CHILE!!! (parte 1)

Acordo numa manhã de quinta-feira, após viajar mais de 14 horas. Tiro os cinco cobertores pesados de cima de mim e vou caminhando até a janela. Abro a cortina e olho para fora. Árvores secas ou repletas de folhas avermelhadas, uma arquitetura diferente daquela que estou acostumado e o mais impressionante, no horizonte, sobem montanhas. No topo das montanhas, lá está ela. Branca, fofinha e gelada: NEVE! Não estava sonhando, eu estava acordado... Em Santiago do Chile!

Amanhecer em Santiago, a partir do quarto onde fiquei
Após todo estresse pré-viagem causado pelas cinzas do Vulcão Puyehue e o estresse durante a viagem causado pela hospitalidade e educação dos funcionários do Aeroporto de Buenos Aires, o negócio foi relaxar e aproveitar os dias que tinha no Chile. Logo na chegada ao país, a estonteante visão da Cordilheira dos Andes que, mesmo durante a noite, aparece como um gigantesco tapete cinza sob seus pés, algo lindo e inesquecível.
 
Santiago é a cidade onde passei mais tempo, e que conheci melhor. Não que eu tenha conhecido muita coisa, afinal um dia não é suficiente para se aproveitar tudo que a capital chilena tem a oferecer. Até por isso, vou me focar mais nas impressões que a cidade dispertou em mim do que em dicas de lugares para visitar.
 
Santiago vista desde o Cerro San Cristóbal
 Logo de cara, o que chama atenção em Santiago é a segurança. A região metropolitana conta com 7 milhões de habitantes, mas com pouquíssimos casos de assalto. Tanto que eu e a Bruna (amiga minha que está fazendo intercâmbio no Chile) andamos por algumas ruas escuras do Centro, com câmera na mochila, muito mais tranquilamente que andaríamos por ruas semelhantes no Rio de Janeiro, ou em Belo Horizonte. Assaltos são raros em Santiago, mas a criminalidade está presente. No Chile, é muito comum a ocorrência de furtos, batedores de carteira são, pelo que dizem por lá, comuns. Por isso, é bom evitar carregar carteira no bolso das calças, porque os caras são mão leve mesmo. Eu, sempre que podia, levei a carteira, celular e outros documentos importantes no bolso interno do casaco. Ainda assim, não tive o menor problema quanto a segurança.
 
Bem, mas falando de coisas boas, Santiago tem várias curiosidades e coisas a serem observadas. As ruas são limpas e as calçadas amplas. Não vi nenhum mendigo, pouquíssimos vendedores de rua (na verdade, acho que não vi nenhum), mas a cidade é lotada de cachorros de rua. Aí que vem a parte interessante e engraçada. Os cães são, muitas vezes, de raça. Os chilenos não se espantam ao ver Huskies, Pastores-alemães, Cockers ou mesmo Labradores andando pelas ruas. Claro que há o bom e velho vira-lata nas ruas de Santiago, mas a quantidade de cachorro de raça (e bonito) nas ruas chilenas é impressionante. Os cães são mansinhos e sabem fazer como ninguém cara de cachorro sem dono, para derreter nosso coração de turista. Não só o nosso, mas dos santiaguinos também. Isso porque muitos dos cachorros de rua são agasalhados! Sabe aquelas roupinhas de cachorro que brasileiros compram para seus pets? Então, lá, elas são dadas a cães de rua, assim como cachecóis(!).
 
Pombos gordos do Chile
Falando ainda em animais, os pombos santiaguinos são impressionantes. Eles são bem maiores que os brasileiros, muito provavelmente, para combater o frio de -1.2°C que fez em Santiago, nos dias que estive por lá. Não sei se eles são mais gordos ou se tem as penas mais estufadas, mas eles são maiores, mais cheios do que os pombos daqui. Além disso, são mais corajosos. Desconfio que o pessoal do Chile não os persiga, por isso, quando você passa por eles, eles apenas saem do caminho, mas não se afastam das pessoas. Sendo politicamente incorreto, chutar um pombo em Santiago não é difícil. Não que eu tenha tentado.
 
Em questão de transporte, o Chile tem coisas muito boas e também coisas... peculiares. Começando pelas peculiares, viajei para El Quisco (Isla Negra), Viña del Mar e Valparaíso de ônibus (vou falar sobre essas cidades na próxima postagem). Segundo a Bruna, as passagens de ônibus de viagens não têm um preço fixo, como no Brasil. Varia de acordo com o horário e a procura pela viagem. Saca a Lei da Oferta e da Procura? É ela que rege os preços das passagens chilenas. Ainda assim, são muito baratas. Por exemplo, de Santiago a Isla Negra a passagem custou uns 10 reais. Belo Horizonte a Divinópolis (MG), que dá quase a mesma distância, as passagens não saem por menos de 30. Quando você embarca no ônibus, repara numas televisõezinhas no teto. Nas viagens costumam ser exibidos filmes ou DVDs de clipes musicais. Indo de Isla Negra para Valparaíso, fomos obrigados a assistir em loop um DVD chato pra caramba de músicas dos anos 90 remixadas. Já de Viña para Santiago, a empresa exibiu o filmaço Peixe Grande, com Ewan McGregor. Pena que a viagem acabou antes do filme.
 
Dentro de Santiago, você pode se transportar via ônibus e metrô. Nos ônibus, você não paga com dinheiro, apenas vale-transportes e, ao que parece (não peguei ônibus), você paga para entrar no ponto e não para entrar no ônibus, no melhor estilo Curitiba (se eu estiver errado, me corrijam). Já o metrô é um espetáculo a parte. Cinco linhas cortam Santiago, te levando para qualquer lugar da cidade. O metrô, curiosamente, tem pneus no lugar das rodas de metal que vemos por aqui. Não são todos os trens, mas a maioria que peguei são com pneus. Entre uma composição e outra, o tempo de espera é menor que um minuto. Para quem está acostumado ao metrô demorado e mal administrado do Rio de Janeiro, o sistema de Santiago é de deixar de queixo caído.

Se locomover pela cidade não é difícil. Como eu disse, o metrô te leva a todos os pontos da cidade (mas são muitas estações, você vai perder um tempo tentando bolar o melhor caminho para chegar do ponto A ao ponto B). Caso fique perdido, peça ajuda aos chilenos, que vão te responder com a maior simpatia (aprendam, argentinos!). O problema é que chilenos falam chilenês. Sabe aquele espanhol basicão que você aprendeu na escola (ou não)? Então, ele não tem a menor utilidade, caso você queira entender um chileno falando. Sério, nossos amigos dos Andes falam outro idioma, mais parecido com klingon do que com espanhol! Mas não tenha medo de usar seu portunhol para pedir para eles falarem mais devagar. Santiago recebe tantos brasileiros que os chilenos já estão acostumados com nosso parco conhecimento da lingua deles. Na verdade, temos um parco conhecimento do Chile.

Terminando o breve (ou não) relato das minhas impressões sobre Santiago, queria comentar sobre a alimentação local. Logo de cara, no meu primeiro café da manhã, fui apresentado ao Aji. Ele tem a aparência de um molho de tomate, mas é MUITO apimentado. Sério, poucas vezes na vida comi algo com tanta pimenta! Queima a língua, queima a garganta, queima tudo! Mas é muito bom! Trouxe um vidro para o Brasil e já me acostumei com o sabor, conseguindo comer hoje um pouco mais do que a minúsucula gota que comia no meu primeiro dia no Chile.
 
No Chile, tive a oportunidade de experimentar o Mote con Huesillos. É uma espécie de pêssego em calda com grãos de trigo. Muita gente adora, mas eu achei meio sem graça. Você que procura algum salgado gostoso para encher a barriga, pode correr atrás das famosas Empanadas. É uma massa de trigo fina e assada, com um recheio dentro. Pode ser carne, queijo, frango, camarão, peixe, etc... Existe para todos os gostos, vale a pena demais experimentar! Outra boa pedida é a (supalpilla - não sei como se escreve). É uma massa redonda frita, lembrando muito massa de pastel, onde você joga alguma coisa por cima e come. Essa coisa pode ser catchup (que é um pouco mais salgado que o brasileiro), mostarda, maionese (que é bem amarelada, mas o gosto é o mesmo), Aji ou seja lá o que for. Esse salgado é vendido na rua, em pequenos traileres, estilo os de churros no Brasil.

Cachorro quente com abacate!
Agora, pra fechar o texto, que ficou gigante, vamos falar da coisa mais bizarra na culinária chilena: O completo con palta. Em bom português, cachorro quente com abacate! A cara que você deve estar fazendo agora é a mesma dos latino-americanos ao descobrirem que comemos abacate com açúcar. Sim, no restante do continente, abacate se come salgado, inclusive no cachorro quente. A primeira vez que comi, detestei, mas porque o abacate estava meio estragado, segundo a Bruna. Dei uma segunda chance para a palta e comi num hamburguer e, vou te falar, não é ruim não! É diferente, meio estranho, mas é gostoso! Recomendo que experimentem!
 
O texto ficou gigante e nem falei de tudo. Farei mais postagens nos próximos dias!

Buenas noches, weones!

Lucas C. Silva